by pcalcada | ago 20, 2026 | Esperança e Consolo, Notícias, Socorro em meio a desastres
O terremoto que atingiu as cidades das regiões de La Guaira e Aragua, na Venezuela, em 24 de junho, transformou completamente a rotina de milhares de famílias. Deixou perdas irreparáveis, destruiu lares e trouxe ao coração de muitas crianças e adolescentes um turbilhão de sentimentos diante da perda de familiares, da insegurança e da mudança repentina em suas vidas.
Em meio a tanta dor, porém, o socorro começou a chegar. E, com ele, vieram não apenas recursos para amenizar as necessidades mais urgentes, mas também gestos de cuidado capazes de levar consolo, esperança e a certeza de que elas não estavam sozinhas.
Entre julho e agosto, foi realizado o projeto pedagógico de acolhimento e reconstrução junto às crianças e adolescentes que permaneciam nos refúgios. Em parceria os batistas brasileiros e venezuelanos levantaram todos os recursos econômicos e mobilizaram uma equipe comprometida e dedicada para atender as crianças. O Projeto Calçada foi convidado a fazer parte dessa iniciativa, levando um cuidado ainda mais pessoal: a oportunidade de cada criança ser ouvida, acolhida e encorajada.
Durante esse período, 19 crianças foram atendidas individualmente com a Bolsa Verde por três educadores voluntários do Projeto Calçada: Ruth e Enectaly Ramirez e Surilma Guacheque.
A realidade nos refúgios é temporária, mas extremamente difícil. Para as crianças, significa viver em meio a mudanças que estão muito além de sua capacidade de compreender ou controlar. Surilma relatou:
“Diante das novas realidades enfrentadas pelas famílias venezuelanas em La Guaira — que passaram de morar em apartamentos confortáveis para viver em barracas — elas agora se encontram sem água ou itens básicos necessários para uma família. No setor de El Morro, as crianças viviam com medo de que as paredes desabassem, enquanto no setor de Playa Verde — uma das áreas mais atingidas, onde todos viviam em barracas — as pessoas estão tendo de enfrentar filas para conseguir água e comida.”
E foi justamente nesse cenário de perdas e incertezas que pequenos momentos de esperança começaram a florescer. As crianças chegavam aos encontros com grande entusiasmo para jogar a Bolsa Verde e descobrir o que Jesus lhes queria dizer por meio das histórias bíblicas. Por alguns instantes, o cenário ao redor dava lugar a um espaço seguro, onde podiam brincar, conversar, sorrir e simplesmente ser elas mesmas.
Ao final dos encontros, algumas perguntavam aos educadores:
“Quando você vai voltar?”
“Você vem amanhã?”
Essas perguntas diziam muito. Revelavam que, naquele momento, elas haviam encontrado algo precioso: alguém disposto a estar presente e ouvir sem pressa.
19 crianças e adolescentes abriram o coração e compartilharam dores que carregavam desde o terremoto. Medo, raiva, tristeza, solidão, confusão e incerteza foram alguns dos sentimentos revelados — emoções que expressavam o turbilhão provocado por tudo o que haviam vivido.
Mas algo começou a mudar ao longo de cada encontro. Enquanto ouviam as histórias bíblicas que falavam de amor, cuidado, proteção, esperança e novas possibilidades, aqueles sentimentos começaram, pouco a pouco, a dar espaço para outros: alegria, calma, paz e a certeza de não estarem sozinhos, sentimentos que as crianças disseram estar sentindo ao terminar o aconselhamento.
Foi o que aconteceu com Matias*, de 9 anos. Ele disse que durante o terremoto ficou apavorado e não sabia para onde correr. Mas ao ouvir que Jesus tem poder para tirar o medo e que pode cuidar dele em qualquer circunstância, Matias orou com confiança, pedindo que Jesus protegesse sua família. Ao final do encontro, seu coração já estava diferente. Matias disse: “Agora que eu tenho Jesus sempre por perto, eu me sinto feliz.”
Essa frase resume, de maneira simples e profunda, o que aconteceu em cada um daqueles 19 encontros: momentos de escuta, acolhimento, consolo e esperança. 19 oportunidades para uma criança perceber que sua dor importa, que sua voz pode ser ouvida e que ela não precisa enfrentar sua dor sozinha.
Em cada aconselhamento, as crianças foram incentivadas a conversar com Jesus e descobriram que podem falar com Ele sobre tudo o que sentem, porque Ele está atento às suas necessidades e cuida delas.
E, embora as circunstâncias ao redor ainda não haviam mudado, algo dentro delas começou a mudar. A autoestima foi fortalecida. E a esperança começou a nascer novamente.
O terremoto deixou marcas que não podem ser apagadas, mas, em meio à dor, também foi possível plantar sementes de esperança. Cada abraço, cada escuta, cada oração e cada história compartilhada ajudaram essas crianças a se lembrarem de que sua história não termina naquilo que viveram. Enquanto famílias e comunidades seguem reconstruindo suas vidas, o Projeto Calçada continua acreditando que cuidar do coração de uma criança hoje pode transformar a maneira como ela enfrentará o amanhã. Porque, mesmo quando tudo ao redor parece ter desmoronado, a esperança pode permanecer de pé — e, para essas crianças, essa esperança tem um nome: Jesus.
*Nome alterado para preservar a identidade da criança.
by pcalcada | jun 26, 2026 | 26 anos do Projeto Calçada, Artigos, Histórias de Transformação, Notícias
Uma reflexão em celebração aos 26 anos de atividades do Projeto Calçada
Há algum tempo, me perguntaram o que ainda me motiva a continuar no Projeto Calçada depois de 27 anos. A resposta é simples: continuo vendo Deus restaurar o coração de crianças que, marcadas pelo trauma, passaram a acreditar que não têm valor.
Tenho o privilégio de fazer parte dessa história desde o início, ainda durante o desenvolvimento da metodologia que, um ano depois, deu origem ao Projeto Calçada como o conhecemos hoje.
Por cerca de 15 anos, servi como voluntária junto a crianças em situação de rua. Apesar dos esforços para atender às suas necessidades físicas, educacionais e emocionais, comecei a perceber algo mais profundo: muitas crianças não conseguiam acreditar que um futuro diferente fosse possível. Quando surgiam oportunidades, frequentemente desistiam antes mesmo de tentar, convencidas de que fracassariam, seriam rejeitadas ou simplesmente não seriam capazes.
Foi então que compreendi algo que transformou também a minha forma de enxergar essa missão. O trauma não deixa apenas feridas emocionais; também afeta profundamente a forma como a criança vê Deus, a si mesma e os outros. Mesmo ouvindo que Deus a ama, ela pode concluir que isso não se aplica a ela. Passa a acreditar que não tem valor, que não é digna de amor e que ninguém é confiável.
Foi aí que descobri o propósito do Projeto Calçada: oferecer às crianças marcadas pelo trauma a oportunidade de descobrir quem Deus realmente é.
Ao longo desses 27 anos, testemunhei momentos que jamais esquecerei. Um deles foi o de um menino que, ao final de um aconselhamento, recebeu uma folha em branco e foi convidado a desenhar como se via. O desenho mostrava apenas um pequeno ponto em um dos cantos da folha.
O educador perguntou: “Como esse pontinho se parece com você?”
O menino respondeu: “Eu sou assim, bem pequenininho… mas agora eu sei que, mesmo que esta folha estivesse completamente cheia de desenhos, Jesus ainda me veria nesse pontinho.”
Essa resposta resume o que tenho visto acontecer repetidas vezes. Quando uma criança descobre que Jesus realmente a vê, algo começa a mudar. Sua esperança se renova e sua confiança em Deus começa a ser restaurada, estendendo-se gradualmente às outras pessoas.
Por isso continuo aqui. Nosso chamado não é transformar vidas com nossa própria força, mas criar oportunidades para que as crianças tenham um encontro com Jesus. O resto pertence a Ele.
Ao celebrarmos os 26 anos de atividades do Projeto Calçada, sou profundamente grata à nossa equipe, aos multiplicadores, educadores, voluntários, parceiros, igrejas e mantenedores que caminham conosco. Cada criança alcançada carrega consigo algo das orações, da dedicação e da generosidade de cada um de vocês.
Se você também acredita que nenhuma criança deveria crescer sem saber que tem valor, há um lugar para você nessa missão. Você pode aprender a apresentar Jesus de forma sensível a crianças que passaram por experiências traumáticas ou apoiar o Projeto Calçada para que mais educadores sejam capacitados e mais crianças vivam esse encontro transformador. Seja por meio da oração, da divulgação, do voluntariado ou do apoio financeiro, cada pessoa pode participar do que Deus continua fazendo na vida de tantas crianças.
É por isso que, depois de tantos anos, quando me perguntam por que continuo aqui, minha resposta permanece a mesma: não há privilégio maior do que ajudar uma criança a conhecer Jesus, não pelos olhos da dor, mas pela verdade do Seu amor.
Clenir Xavier
by pcalcada | fev 20, 2025 | Artigos, Sociedade
A justiça social é um princípio fundamental da fé cristã. Desde os tempos bíblicos, Deus expressa seu cuidado pelos vulneráveis, chamando seu povo a agir em favor dos necessitados. Quando falamos de justiça social e infância, abordamos uma responsabilidade essencial para a igreja e para os todos que seguem a Cristo: proteger e garantir uma vida digna para as crianças e os adolescentes.
Infelizmente, a desigualdade social priva milhões de crianças de direitos básicos, como alimentação, saúde, moradia, educação e proteção contra violência e exploração. Como cristãos, somos chamados a ser luz e sal neste mundo, promovendo o cuidado e a dignidade da infância.
O Que a Bíblia Diz Sobre Justiça Social e o Cuidado com as Crianças e os Adolescentes?
A Bíblia é repleta de ensinamentos sobre o cuidado com os mais vulneráveis. Deus expressa seu amor pelas crianças e os adolescentes e alerta sobre a seriedade da responsabilidade de protegê-las:
“Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas.” (Mateus 19:14)
“Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe seria amarrar uma grande pedra de moinho ao pescoço e se afogar nas profundezas do mar.” (Mateus 18:6)
O cuidado com os necessitados também é uma demonstração prática da fé genuína:
“A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo.” (Tiago 1:27)
Essa responsabilidade vai além do cuidado individual. A Bíblia nos ensina que a justiça deve ser promovida em todas as esferas da sociedade:
“Aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, repreendam o opressor; defendam o direito dos órfãos, e protejam a causa das viúvas.” (Isaías 1:17)
Por Que a Justiça Social é Essencial para as Crianças e os Adolescentes?
As crianças e os adolescentes são o presente e o futuro da sociedade, mas muitas delas vivem em situações de extrema vulnerabilidade. O compromisso cristão com a justiça social se manifesta ao garantir que toda criança tenha acesso ao cuidado, à educação e à proteção.
1. Direito à Infância Segura
O ambiente seguro e acolhedor é essencial para o desenvolvimento saudável das crianças. Como Jesus ensinou, elas não devem ser impedidas de crescer com dignidade e amor.
“O Senhor protege os estrangeiros; ele ajuda as viúvas e os órfãos, mas faz com que fracassem os planos dos maus.” (Salmo 146:9)
2. Acesso à Educação
A educação transforma vidas e oferece oportunidades para um futuro melhor. Ensinar as crianças nos caminhos de Deus e proporcionar um ensino de qualidade é essencial.
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Provérbios 22:6)
3. Combate à Pobreza Infantil
A pobreza priva crianças de direitos básicos, mas Jesus nos chama a compartilhar com quem precisa. O cuidado aos necessitados é um reflexo do amor de Deus.
“Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era estrangeiro, e me acolhestes.” (Mateus 25:35)
4. Proteção Contra a Exploração e o Abuso
O trabalho infantil e outras formas de exploração são realidades cruéis, e não devem ser aceitas. Deus se opõe a qualquer tipo de injustiça contra os pequenos.
“Defendam a causa dos fracos e dos órfãos; sustentem os direitos dos pobres e oprimidos.” (Salmo 82:3)
Como Podemos Atuar Como Cristãos?
A fé cristã nos convida a agir em favor da justiça social. Algumas maneiras práticas de contribuir incluem:
Conscientização: Compartilhar informações sobre os direitos das crianças e dos adolescentes e os impactos da desigualdade social.
Apoio a Iniciativas Locais: Engajar-se em projetos sociais e apoiar organizações que trabalham com crianças e adolescentes vulneráveis.
Cobrança de Políticas Públicas: Orar pelos governantes e exigir investimentos em educação, proteção infantil e combate à pobreza.
Cuidado com as Crianças ao Nosso Redor: Acolher, orientar e estar atento às crianças próximas, ajudando a construir um ambiente seguro.
“E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos. Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos.” (Gálatas 6:9-10)
A justiça social é um valor bíblico e uma responsabilidade cristã. O compromisso de cuidar das crianças e dos adolescentes, garantir seus direitos e oferecer amor e segurança reflete o coração de Deus. Cada ação, por menor que pareça, pode transformar vidas e construir um futuro mais justo e cheio de esperança.
Vamos juntos ser instrumentos de amor e justiça na vida das crianças e dos adolescentes!
by pcalcada | mar 6, 2024 | Notícias
A partir de hoje (06) você vai acompanhar uma série de testemunhos de pessoas que, de alguma forma, tem se envolvido com o Projeto Calçada, na luta por levar cuidado e proteção a crianças e adolescentes no Brasil e nos demais países da América Latina.
A série AMOR EM AÇÃO apresenta áudios, vídeos e artigos com relatos de muito amor, entrega e compaixão que prometem inspirar outras pessoas a também se envolverem com nossas iniciativas.
Neste primeiro episódio, você confere o relato da diaconisa Nilsa, que está concluindo um TCC sobre o Projeto Calçada.
Nilza Medeiros Pinto é diaconisa da Igreja Batista de Itacuruçá, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Lá, ela é responsável por ministérios nas áreas de recepção e eventos, além de ser a relatora de uma comissão jurídica. Mas foi na Primeira Igreja Batista de Alcântara, em São Gonçalo/RJ, que se converteu. Em 2025, Nilza completará 50 anos de batismo.
Casada há 35 anos com o Fernando, com quem teve 2 filhos e um neto, ela fez sua primeira faculdade no Instituto Batista de Educação Religiosa (Iber), que atualmente se chama Ciem. Após sua formação em Educação Religiosa, a Nilza cursou Arquivologia na Unirio. Posteriormente, ela cursou a faculdade de Direito, na Cândido Mendes. Logo depois, cursou Pós-Graduação e Mestrado em Engenharia Ambiental na Universidade Federal de Ouro Preto/MG.
Neste mês de março, Nilza conclui outra Pós-Gradução, desta vez sobre Desenvolvimento e Liderança, que é subsidiada pelo Lions Clube do Brasil. E é sobre o tema do seu TCC que a Nilza conversou com nossa equipe de Comunicação. Ela escolheu falar sobre “A Mulher na Liderança e o Terceiro Setor” e se inspirou no Projeto Calçada, o qual conhece desde a sua fundação aqui no Brasil, em 2000.
Ouça AQUI esta história e inspire-se a se envolver cada vez mais com nossas iniciativas.