by pcalcada | jun 8, 2020 | Histórias de Transformação
“Com apenas seis anos de idade, minha vida já tinha tido sofrido algumas mudanças. Recentemente, havia me mudado para um lugar que abriga crianças que tinham passado por situações familiares difíceis e precisavam ficar ali, assim como eu. Eu era pequeno, não parava quieto e observava tudo.
Um dia, pouco tempo depois de ir morar no abrigo, uma mulher veio me contar algumas histórias. Ela fez várias perguntas e eu quis responder todas elas, porque a moça me tratava de um jeito muito bom, com atenção e cuidado. Eu disse para ela que, depois de viver aquelas coisas difíceis, me sentia como um cachorro, porque meu filhotinho tinha morrido e eu havia ficado muito triste sabendo que ele estava sofrendo. Depois, ela me contou a história de um menino que parecia muito a minha história. Ele também tinha sofrido e se sentido mal, mas ele ouviu sobre um homem chamado Jesus que disse que o amava e o abençoou e, com isso, aquele menino passou a se sentir melhor.
No final da conversa, a mulher me deu um cartãozinho que tinha a figura de duas mãos protegendo uma criança, e eu, assim como aquele menino, me senti melhor e entendi que nas mãos de Deus eu não vou me perder.”
Os enormes olhos de Jonathan revelavam muitos sentimentos e observavam todos os detalhes das histórias, enquanto eu o atendia com a Bolsa Verde. Quando entreguei o cartão de bolso que ele escolheu, esses olhos ternos pareceram ter ficado menores por causa do grande sorriso que abriu.
Ele era um menino ativo e até fazia travessuras, mas também era muito dedicado nos estudos, o que lhe permitiu recuperar o aprendizado com a ajuda dos seus professores e da família que encontrou nos responsáveis pela Casa Hogar del Niño de Acapulco, abrigo onde ele morava. O professor que lhe deu aulas de inglês nos primeiros anos do primário ficou surpreso quando observou que Jonathan, sem que ninguém sugerisse, sempre ia para um cantinho para ler sua Bíblia sozinho.
Nos anos que se seguiram, entre artes e travessuras, ele cresceu com seus olhos atentos, sempre observador, fazendo perguntas engraçadas e inteligentes, como se estivesse explorando tudo. Entre a escola e o futebol, não se sabia por qual era mais apaixonado. Todos os dias a quadra de futebol o puxava como um ímã, como se lá ele tivesse que marcar o cartão de ponto. Jonathan jogava futebol a tarde toda, chutando e chutando. Com suas luvas de goleiro, reunia cinco meninos e os ajudava a treinar os chutes, um a um, jogando a bola para ele agarrar.
No silêncio, Deus fez a fé desse seu pequeno filho crescer, com o apoio diário da Casa Hogar, a sua casa, cumprindo sua promessa de que "Assim também ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não voltará para mim vazia, mas fará o que desejo e atingirá o propósito para o qual a enviei.” (Isaías 55:11 NIV)
Há um ano, já um adolescente e com uma cara muito séria, me pediu para fazer o teste de Orientação Vocacional. Foi emocionante vê-lo terminando o ensino médio e já querendo confirmar o que ele mais gostava. Seu retorno nas idas ao mercadinho era ansiosamente esperado pelos meninos e meninas da Casa, porque sabiam que ele lhes traria um refrigerante e os doces que eles adoravam, sempre mostrando um coração generoso.
No início deste ano, ele decidiu ir morar com a avó, quem o havia levado para viver no abrigo, e quem sempre acompanhava o seu desenvolvimento. Alguns meses atrás, quando sua tia faleceu, ele disse à mãe que quando ele morresse gostaria de ter um velório cristão. Ele não imaginava que esse dia chegaria tão rápido. Pouco tempo depois ele foi se encontrar com Deus, tendo somente 15 anos, vítima de um acidente de trânsito. O velório foi como ele desejava, com leitura da Palavra e canções
inspiradoras.
Todos nós que o conhecemos o imaginamos feliz, jogando na quadra de futebol celestial. Seus enormes olhos atentos, certamente, agora revelam emoções diferentes daquelas que sentia quando o encontrei pela primeira vez, aos seis anos de idade. Consigo imaginá-los ficando pequenininhos com o sorriso em seu rosto, sendo observado de perto pelo Pai, que se alegra com seu amado filho Jonathan.
Sou imensamente agradecida aos criadores da Bolsa Verde por essa ferramenta extraordinária. O primeiro encontro de Jonathan com o Deus da Bíblia, em um dos momentos mais difíceis de sua infância, deu-lhe a garantia, em seu coração pequeno e receptivo, de que ele nunca se perderia nas mãos de Deus.
Escrita por Beatriz Bastos e a educadora Margarita Rosa González Juárez, México.
*O nome da criança é um pseudônimo para proteção de sua identidade.
by pcalcada | jun 8, 2020 | Histórias de Transformação
Era pouco depois da meia-noite quando um forte barulho na parede do quarto 18 acordou a maioria dos companheiros de quarto de Riko. Após noites em claro e atormentado por pesadelos da sua infância, Riko não conteve sua raiva e deu um soco na parede. Um de seus colegas, assustado com a situação, decidiu chamar Dara, uma das supervisoras do orfanato Medan, que fica localizado na região da Sumatra, Indonésia.
A história de Riko é marcada por constantes lutas, dessas que parecem revoltantes e injustas de acontecerem com qualquer um, especialmente com crianças. Ainda pequeno, viu sua mãe sair pra trabalhar e nunca mais voltar. Alguns anos mais tarde, para piorar a situação, viu seu pai ser acometido por uma doença e falecer.
Esses episódios o marcaram profundamente. Pra lidar com a perda de sua mãe, mesmo ainda bem jovem, Riko roubava dinheiro da carteira do seu pai pra beber. Por conta disso, seu comportamento com as mulheres tinha passado a ser agressivo, as via com desprezo e muita raiva. Além desse sentimento de abandono, Riko se sentia culpado pela morte do seu pai. O dinheiro que ele roubou por tanto tempo fez falta na hora do tratamento de saúde do seu pai. Quando Dara chegou no quarto e viu Riko sentado no chão com a cabeça entre seus joelhos e chorando bem baixinho, seu coração ficou apertado. Aquele momento trouxe a memória de Dara a primeira vez que ela o conheceu, ainda bem novo, com seus 15 anos e sentado na porta do orfanato.
Dara pediu a todos que voltassem a domir enquanto se dirigia a Riko, agora, já com seus 23 anos. Riko se sentia envergonhado, ele era o mais velho do orfanato e chorar era o mesmo que se sentir fraco ou vulnerável. Naquela noite, Dara o ouviu e o consolou por alguns minutos e disse que conversariam melhor no outro dia.
Logo na manhã seguinte, ela o chamou pra dar uma volta pelo orfanato e contar pra ela em mais detalhes o que tinha acontecido em seu sonho. Algumas semanas antes do ocorrido, Dara tinha sido capacitada pelo Projeto Calçada e sentiu em seu coração que aquela era uma boa hora de colocar em prática o que tinha aprendido.
Ao longo da conversa, Riko disse que via em seu sonho uma mesa com várias coisas em cima. A mesa balançava, mas não quebrava. A essas alturas, sentados num banco recostados na parede do prédio, Riko começava a lembrar o que estava em cima da mesa e a chorar, a maioria de suas lembranças eram suas dores do passado que ele nunca tinha superado, principalmente a morte de seu pai.
Nesse momento, usando o aplicativo Bolsa Verde no tablet que carregava consigo, Dara contou a história de quando Jesus curou um paralítico. Ao final da história, Riko parecia outra pessoa. Estava alegre, leve e feliz que Jesus o amava e que o perdoava de todos os seus pecados.
Depois daquela conversa inspiradora, Riko caminhava de volta ao seu quarto. Ele queria um tempo pra refletir sobre tudo aquilo que tinha acabado de nascer em seu coração. Durante seu trajeto, começou a chover para a alegria de todas as crianças do orfanato. As crianças amavam a chuva, gostavam de se molhar e de se refrescar, era nítido como o simples fato da chuva podia mudar o humor de todos. A alegria e a risada delas tomou conta do coração de Riko. Durante sua reflexão, ele pediu a Deus pra ser como a água, alguém que traz refrigério pras pessoas, alguém que traz a transformação.
Hoje, Riko já não vive mais no orfanato. Entregou sua vida a Jesus e há pouco tempo ligou pra Dara pedindo oração pra começar um curso de teologia. Quando conta sua história de conversão, Riko costuma dizer que o seu choro no quarto e a chuva são a perfeita metáfora da transformação do evangelho. A água que saiu de suas lágrimas simboliza a manifestação da dor que já não cabe mais na alma, mas a água da chuva simboliza um novo começo, é a água que vem dos céus, um presente de Deus, a verdadeira alegria.
Escrita por Gabriel Chácara.
*O nome da criança é um pseudônimo para proteção de sua identidade.
by pcalcada | jun 8, 2020 | Histórias de Transformação
Era setembro de 2003 e poderia ser um dia normal de atividades no projeto social. Mas, para Jessica, sua vida mudaria de uma forma que os resultados da transformação seriam notórios por toda sua vida.
Deixe-me apresentar Jéssica, uma menina de 9 anos, que viveu grande parte da sua infância numa região violenta da cidade de Niterói (RJ). Recorrentes tiroteios e ações da polícia traziam uma sensação de estar sempre se escondendo de algum perigo e até mesmo com medo da morte. Além disso, a pequena menina presenciava adultos bêbados, gritarias e desprezo dos mais velhos para com os mais novos. Tais situações e sentimentos tornaram-se cotidianos para uma menina que desconhecia outra realidade.
No entanto, os dias de Jessica tinham mais esperança com as atividades no projeto social. Foi lá que ela conheceu a educadora do Projeto Calçada, Ana, que também era sua professora de reforço escolar. Ana percebeu a situação de tristeza em Jéssica e a convidou para ser aconselhada com a Bolsa Verde. Um pequeno convite para ouvir uma história, que transformaria a visão de si mesma e do mundo a sua volta.
Após uma breve introdução, Ana deixou Jéssica bem à vontade para dizer seus medos, suas tristezas, e como se sentia e se via diante de todo um cenário tão estarrecedor. E foi nesse momento de compartilhar que Jéssica confessou à Ana que se sentia como um rato acuado. Ela não tinha condições de se comparar à outra coisa. Ela se via, se sentia e, de fato, se comportava como se fosse um rato que foge, que se esconde pelos cantos, com medo.
Ainda durante o aconselhamento, no momento da oração, Jéssica chorou muito, mas confiante, pediu a Deus para se mudar do lugar onde morava. Ana, em seu coração, achou difícil que isso acontecesse, a realidade não apontava nenhuma possibilidade de mudança, e ela se preocupou com a possível frustração que poderia atingir a menina se aquele pedido não fosse atendido. Contudo, manteve sua preocupação para si e não expressou à Jéssica.
Para fortalecer a fé da pequena Jéssica e trazer à memória a esperança para a Ana, Deus ouviu a oração da criança. Dois meses depois da conversa com a educadora, a mãe da menina passou por situações difíceis por conta da violência do local e foi obrigada a mudar-se de lá. Com a ajuda de conhecidos de fora da comunidade, Jéssica se mudou para um lugar menos violento, junto com sua família.
Jéssica deixou aquele rato acuado para trás e seguiu sendo uma menina calma. Não que ela não perdesse mais a paciência ou que não se sentisse temerosa diante das dificuldades. Mas, agora, ela sabia que não estava mais sozinha, pois tinha Jesus ao seu lado para ajudá-la a se defender diante dos desafios da vida.
A menina cresceu e aprendeu que é possível mudar realidades de outras pessoas. Jovem, resolveu cursar Direito para defender outras crianças. Hoje é uma jovem segura e cheia de conquistas. Jéssica, agora casada e mãe de dois filhos, formada, encara a oportunidade de olhar para o passado. O tempo passa, mas sempre que Jéssica relembra do aconselhamento com a Bolsa Verde tem a certeza da mudança em sua vida. Ela pôde declarar que aquele momento foi especial, único e transformador: “se aconteceu comigo, se mudou a minha história, pode mudar a história de muitas pessoas”.
Escrita por Juliana Gonçalves e Beatriz Bastos.
by pcalcada | ago 26, 2019 | Histórias de Transformação
“O Projeto Calçada tem sido uma ferramenta preciosa na restauração e cura das crianças, adolescentes e educadores do Programa Viver no Estado de São Paulo, a cada aconselhamento percebo a transformação na vida dos que são aconselhados com a Bolsa Verde, conforme relatado pelos educadores.
Dentre os atendidos, preciso destacar a aluna Poliana, de 14 anos. No aconselhamento, a aluna expôs que foi abusada sexualmente por seu primo aos 9 anos e não conseguia contar aos seus pais, pois estava com problemas de relacionamento com sua madrasta. Ela disse que se sentia rejeitada por eles e já tinha perdido a vontade de viver ao ponto de estar se mutilando.
Ao longo dos aconselhamentos, a mudança em seu olhar e na sua afeição foi nítida, ela se sentiu amada e preciosa para Jesus. Poliana está sendo acompanhada pela educadora Luisa e pela diretora da ONG que participa.
Foi realizada uma conversa com seus pais sobre o abuso sofrido e de como ela se sentia em relação a eles Houve liberação de perdão e reconciliação, as devidas providências em relação ao abuso estão sendo tomadas por sua família e a aluna está sendo acompanhada por uma psicóloga. Hoje encontro Poliana sorrindo, com sonhos e com o brilho de Jesus em seu olhar.”
Esse é um relato da missionária Luísa Karla de Freitas Melo, que trabalha no Programa Viver, em São Paulo. A transformação de Poliana é um exemplo da importância de cuidarmos da vida de crianças e adolescentes. Para isso, precisamos não só de ações e projetos, mas de informação. Se você entende essa necessidade de mudança e deseja saber mais sobre cuidados, proteção e direitos desses jovens, participe de nosso segundo Congresso Online, de 03 a 05 de outubro. Mais informações em www.projetocalcada.org.br/congresso.
by pcalcada | fev 15, 2019 | Histórias de Transformação
“Era uma vez uma mãe usuária de drogas. Ela tinha alguns filhos, mas não cuidava deles, eles passavam muitas necessidades e não recebiam o amor que tanto precisavam. E foi assim que essa história começou. (mais…)