Encontro de Educadores: 24 Anos de Impacto Transformador

Encontro de Educadores: 24 Anos de Impacto Transformador

Os 24 anos do Projeto Calçada foram comemorados durante o Encontro de Educadores realizado durante uma videoconferência no dia 21 de junho. Uma celebração da dedicação e do impacto duradouro de nossas ações na vida de milhares de crianças em situação de vulnerabilidade.

Nossa equipe, representada pela Diretora Internacional do Projeto Calçada, Clenir Xavier; pela coordenadora no Brasil, Luciana Falcão; e pela Diretora Executiva da Lifewords Brasil, Cleisse Andrade, esteve reunida com educadores de várias partes do Brasil para compartilhar experiências, reforçar a missão do projeto e discutir as estratégias futuras para continuar promovendo mudanças significativas.

Uma Jornada de Esperança

Fundado há 24 anos, o Projeto Calçada nasceu com a missão de oferecer suporte educacional e emocional a crianças em situação de vulnerabilidade. O programa visa transformar vidas através da educação e do fortalecimento comunitário, promovendo um ambiente seguro e acolhedor para essas crianças.

Reflexões e Conquistas

Durante o evento, nossa equipe e educadores compartilharam histórias emocionantes e inspiradoras de como o Projeto Calçada tem feito a diferença.

Os participantes também refletiram sobre as conquistas ao longo dos anos, enfatizando como a educação tem sido um poderoso agente de mudança. Foram apresentados dados que demonstram o impacto positivo do projeto em termos de aumento da frequência escolar, melhora no desempenho acadêmico e desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais das crianças assistidas.

Desafios e Visão para o Futuro

Apesar dos muitos sucessos, os educadores também reconheceram os desafios contínuos. A sustentabilidade financeira e a necessidade de expansão para alcançar mais crianças são questões cruciais. Durante o encontro, foi reafirmado o compromisso de buscar parcerias e recursos adicionais para garantir que o projeto possa continuar a crescer e a beneficiar mais crianças e adolescentes.

Além disso, houve uma discussão aprofundada sobre a importância de adaptar as práticas do projeto às mudanças sociais e culturais. Isso inclui a incorporação de abordagens que considerem as diversas realidades das comunidades atendidas e a necessidade de criar espaços ainda mais inclusivos e acolhedores.

Testemunhos Inspiradores

O evento foi marcado por testemunhos comoventes de antigos participantes do Projeto Calçada, que compartilharam como o apoio recebido transformou suas vidas. Esses relatos serviram como um lembrete poderoso do impacto profundo que o projeto tem na formação de um futuro mais brilhante para crianças que, de outra forma, poderiam ter ficado à margem da sociedade. 

O Encontro de Educadores do Projeto Calçada 2024 foi uma celebração do compromisso inabalável de educadores e voluntários em promover a educação e o bem-estar de crianças em situação de vulnerabilidade. O evento destacou a importância de uma rede forte e colaborativa, e renovou a determinação de continuar a luta por um futuro onde todas as crianças tenham a oportunidade de florescer.

Bolsa Verde: Bolívia tem novas educadoras

Bolsa Verde: Bolívia tem novas educadoras

A Cleisse Andrade (à direita na foto superior), Diretora Executiva da Lifewords Brasil, esteve recentemente na Bolívia para supervisionar uma nova capacitação com a Bolsa Verde. Ela retornou ao Brasil com o coração grato a Deus pelo avanço do Projeto Calçada nesse país vizinho.

A diretora nos conta que “durante quatro dias seis mulheres da Iglesia Universitaria em Santa Cruz de la Sierra, que amam as crianças, aprenderam a usar a Bolsa Verde para ouvir suas dores e promover alívio aos seus corações através das histórias bíblicas. Foram dias intensos, mas cheios de aprendizado, compartilhamentos e milagres.”.

“A Fundación Danielito atende a 700 crianças e adolescentes em vulnerabilidade e agora, com essa nova ferramenta de transformação, poderá fortalecê-las emocional e espiritualmente”, concluiu.

Nesta capacitação, Goretty Jora (à esquerda na foto superior), boliviana de Cochabamba, completou o curso e agora é uma Multiplicadora do Projeto Calçada. Ela testemunhou:

“Sou muito grata ao Senhor e ao Projeto Calçada por ser parte deste lindo ministério. Deus é bom!”.

As novas educadoras também estão entusiasmadas por fazerem parte desta grande rede de proteção e cuidado de crianças de adolescentes.

“Deus mudou minha visão e forma de ver que há tanto o que fazer e sou parte dessa oportunidade de levar cura e restauração aos corações com a Bolsa Verde. Termino a capacitação vendo com as lentes de Deus.” –  Adela

“Ao concluir essa capacitação para o uso da Bolsa Verde sinto que tenho agora algo de muito valor para oferecer às crianças e adolescentes, que é a Palavra de Deus. Assim como a ostra guarda uma pérola preciosa dentro de si, carrego nos meus ombros essa preciosa Bolsa Verde.” – Yoselin

Você que ainda não passou por uma capacitação da Bolsa Verde, faça isso agora. Temos novas turmas online. Confira o cronograma AQUI.

Esta conquista também é fruto das suas orações e ofertas. Invista em nossas ações. Clique AQUI e saiba como.

Dia Mundial Contra Agressão Infantil

Dia Mundial Contra Agressão Infantil

A agressão não educa — a disciplina com amor, sim!

Primeiro, uma constatação de fatos:

O número de denúncias de agressões onde crianças e adolescentes são as vítimas é assustador. Até o final do primeiro semestre de 2023 já eram 97.341 denúncias.

A subnotificação desse tipo de violência é uma realidade. Quantas crianças sofrem violência sem que isso resulte em denúncia?

80% das agressões sofridas pelas crianças se dão no entorno familiar.

Muitas famílias tementes a Deus acreditam que “usar a vara” é mandamento bíblico.

Segundo, ouçamos a voz do sábio entre nós:

Trazemos à memória uma reflexão escrita por Zenon Lotufo Junior, filósofo, teólogo e educador cristão, sobre a tarefa de educar nossos filhos, com amor e sem maus tratos.

“Eu repreendo e disciplino a quantos amo” (Ap. 3.19)

A questão da disciplina tem sido objeto de confusão no meio evangélico. Há muitos irmãos que acreditam que disciplinar é sinônimo de castigar e que esse castigo deve ser físico e ainda, para ser fiel à Bíblia, com o uso de uma vara. Um exame mais atento dos textos bíblicos, no entanto, não justifica essa posição. A palavra disciplina, tanto em nossa língua quanto nos originais hebraico e grego, significa primeiramente educação. Tem a mesma origem que “discipular”. Para mim é motivo de tristeza pensar em quantas crianças são espancadas com varas e outros objetos por pais, que pensam estar sendo obedientes a Deus ao usarem técnicas educativas. A base destas técnicas, na realidade, está em uma psicologia — o chamado behaviorismo — que vê o ser humano como um simples animal, destituído de qualquer aspecto espiritual.

A bem da verdade, uma de minhas filhas, que se especializou em adestramento de animais, já me disse que nem com eles se utilizam, hoje em dia, castigos físicos. Há formas bem mais eficazes de conseguir obediência.

Mais ainda, todos quantos estão conscientes das terríveis consequências que o medo acarreta para a personalidade de uma pessoa pensariam muitas vezes antes de utilizá-lo para obter submissão.

Toda e qualquer forma de educação é também uma forma de disciplina; disciplinamos por palavras, por exemplos, pela atenção, pela compreensão, pela aceitação, pelo carinho e, eventualmente, também por castigos. Estes, aliás, são tanto menos necessários quanto mais existam os outros elementos citados.

Tudo isso não quer dizer que devamos ser permissivos ou excessivamente tolerantes. É preciso levar em conta que toda criança precisa crescer conhecendo limites, sendo orientada sobre o que é certo e o que é errado. Sem isso não desenvolverá a segurança interior que, em grande parte, é resultado da interiorização das atitudes dos pais para com ela — atitudes que precisam incluir firmeza amorosa.

Para aplicar adequadamente qualquer forma de disciplina, precisamos considerar um fato óbvio: nenhuma criança se comportará “mal” se não estiver infeliz. Coloquei entre aspas esse “mal” porque muito do que chamamos de mau comportamento infantil não passa de expressão legítima de sua própria natureza. Fazer barulho, mostrar-se irrequieta, não querer fazer tarefas escolares (ou outras coisas que ela considera, com toda a justiça, aborrecidas) podem contrariar os pais e podem ser objeto de disciplina amorosa, mas é fundamental que os educadores reconheçam — e o expressem — que a criança tem todo o direito de agir assim, de querer ou não querer o que quer ou não quer. Reconhecer preliminarmente esse direito diminui nossa eventual irritação e dizê-lo à criança torna mais fácil obter sua cooperação.

São bastante variadas as causas da infelicidade infantil, infelicidade essa que leva a criança a desenvolver comportamentos indesejáveis. Antes de tentar modificar esses comportamentos por meio de punições é necessário entender a mensagem que eles encerram. Muito frequentemente, compreender essa mensagem e atender às carências que a criança está expressando por suas atitudes torna desnecessária qualquer outra medida.

É importante conhecer algumas das causas do mau comportamento infantil: a criança não sabe o que é certo, não tem informações, não tem maturidade, está infeliz, se sente rejeitada ou insegura, está sendo desrespeitada, está refletindo o estado emocional do educador (ou educadores). Levando isso em conta, considere como chega a ser revoltante pensar que uma criança pequena pode estar sendo castigada porque, por seus maus modos, está tão-somente suplicando atenção, carinho, asseguramento do amor dos pais ou de quem a educa. (Zenon Lotufo Jr)

Terceiro, façamos um autoexame:

Abster-me do controle dentro do meu lar e nos meus relacionamentos é difícil para mim?

Meus filhos se sentem presos numa eterna disputa por poder entre eu e eles, onde tento exercer autoridade, custe o que custar?

Como será o meu relacionamento com eles quando eu começar a perder as minhas forças e eles se tornarem mais fortes que eu?

Que todas as nossas atitudes sejam orientadas pelo amor de Cristo, um amor que insiste em caminhar conosco, continua a nos orientar e persevera nos momentos difíceis!

Autora: Elsie B. C. Gilbert, missionária, jornalista e coordenadora da Rede Mãos Dadas 

O LIVRO INFANTIL COMO TECNOLOGIA SOCIAL

O LIVRO INFANTIL COMO TECNOLOGIA SOCIAL

Por Gabriella Vicente
Escritora, sanitarista e doutoranda em Saúde Pública pelo Instituto de Medicina Social/UERJ.

O livro infantil é um potente veículo de comunicação, ainda que compita com recursos sonoros e visuais mais apelativos, o livro contém o elemento da contação de história, uma janela de oportunidades para o ensino da indagação. E indagar, meus caros, em tempos de formatação padronizada do pensamento, é um poder.

Não quero aqui romantizar o não acesso a recursos tecnológicos que, de fato, facilitaria a vida de muitos que não acessam o básico, mas talvez propor uma visão alternativa ao conceito de tecnologia, que normalmente se restringe à maquinaria, automação e software. Valho-me do conceito de tecnologia social trazida pelo Caderno de Debate – Tecnologia Social no Brasil, como “conjunto de técnicas e metodologias transformadoras, desenvolvidas e/ou aplicadas na interação com a população e apropriadas por ela, que representam soluções para inclusão social e melhoria das condições de vida” (ITS, 2004:26) e como esse conceito se aplica a um país desigual com infâncias interrompidas pela vulnerabilidade social.

Cecília Meireles, já em 1984, traz a visão atemporal de que o livro infantil, se bem dirigido à criança, transmite os pontos de vista da intenção ou invenção que o adulto autor considera mais úteis à formação de seus leitores, de modo que a considerar a literatura não como um passatempo, mas uma nutrição (MEIRELES, 1984:29;32). Dessa forma, a literatura como ferramenta de tecnologia social tem como base a disseminação de soluções para problemas voltados às demandas das populações em situação de vulnerabilidade social.

A pobreza, violências e outras temáticas difíceis, se abordadas pela via do universo infantil, tem potência para destravar o debate que começa nas mais tenras idades. As perguntas da vulnerabilidade podem desafiar os adultos formuladores de políticas públicas protetoras da infância a questionamentos que desnaturalizam as condições desumanas de vida. A começar pelas crianças. A consciência da condição que os assola é cruel, mas potente, e o livro é veículo para a descoberta de realidades que elas podem tocar.

Termino essa reflexão com uma partilha da experiência do Miguel, uma criança com autismo após leitura, assessorada por sua mãe, do livro “A viagem de Dorinha”: “Já li pra Miguel. Ele ficou me abraçando e beijando a cada vez que eu falava sobre o afeto da Dorinha. O essencial da história ele captou”. Miguel entendeu uma mensagem socialmente determinada como ininteligível dada sua situação vulnerável, mas surpreendentemente a literatura infantil comunicou e encorajou afeto no menino Miguel. Feliz dia do livro infantil, tecnologia social potente para transformação de infâncias.

UNICEF: apreensões de crianças e adolescentes sem flagrante devem ser interrompidas

UNICEF: apreensões de crianças e adolescentes sem flagrante devem ser interrompidas

Como uma organização que preza pela proteção de crianças e adolescentes, nós do Projeto Calçada acreditamos que todos os menores devem ser tratados com dignidade e respeito. Temos em nossa Política de Proteção a Crianças e Adolescentes diretrizes de boas práticas a serem seguidas por todos os envolvidos, e que previnem e lidam com todas as formas possíveis de violência contra eles: desde medidas de sensibilização até medidas de proteção, para mantê-los longe do perigo. Por isso, comemoramos a decisão do UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância – de pedir às autoridades brasileiras responsáveis que interrompam apreensões de crianças e adolescentes sem flagrante no país e assegurem integralmente os direitos de meninas e meninos.

No início de janeiro, O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, protocolou junto ao Supremo Tribunal Federal um pedido para restabelecer a proibição da apreensão de menores, exceto em casos de flagrante, nas praias do Rio de Janeiro.

A medida havia sido suspensa em dezembro de 2023 pelo TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), que vetou a proibição desse tipo de apreensão durante a Operação Verão.

O UNICEF alerta que a medida atinge em especial crianças e adolescentes negros das periferias de grandes centros urbanos. A nota do Fundo diz que a apreensão de menores, sem flagrante, “viola expressamente direitos fundamentais de meninas e meninos garantidos pela Convenção sobre os Direitos da Criança (CRC), pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Constituição Federal de 1988”.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 230, estabelece que, no Brasil, é crime “privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente”. Seguindo na mesma linha, a Constituição brasileira assegura, nos seus artigos 5 e 227, a proteção integral da criança e do adolescente e seu direito à liberdade, enquanto pessoas em desenvolvimento.

Já o artigo 37 da Convenção sobre os Direitos da Criança, que foi ratificada por 196 países, entre eles o Brasil, indica que os países devem garantir que nenhuma criança e nenhum adolescente “seja privado de sua liberdade de forma ilegal ou arbitrária”.

Caminhos para a segurança pública
O UNICEF diz que o debate sobre segurança pública no Brasil precisa alcançar governos, polícias, sociedade civil e os próprios adolescentes e jovens, definindo “soluções baseadas em evidências e voltadas à prevenção e à resposta às diferentes formas de violência e à garantia de cidades mais seguras e inclusivas para todos”.