“Eu achava que ninguém se importava comigo, mas estava enganada.”

“Eu achava que ninguém se importava comigo, mas estava enganada.”

Meu nome é Olívia e hoje quero te contar a minha história. Eu sou de Cabo Verde, na África. Cresci numa família muito desestruturada, meus pais se separaram logo após meu nascimento e, com isso, minha mãe assumiu sozinha a criação das filhas. Ela trabalhava muito e estava sempre ausente, eu cresci com uma carência materna e paterna muito grande. Apesar de estar sempre com minhas cinco irmãs, senti um vazio imenso e, mesmo criança, eu não queria viver. Nós passávamos muitas dificuldades financeiras e muitas vezes éramos desprezadas pelos vizinhos e colegas de escola.

Eu morava em uma comunidade que ficava em um morro, cheio de becos e vielas. Todos os dias eu via uma mulher descendo as ruas carregando uma bolsa verde com uma flor vermelha. Aquela bolsa me chamava muita atenção, mas eu não tinha coragem de ir falar com a mulher, mesmo quando ela me olhava e sorria para mim. Até que um dia resolvi ir até ela e perguntei, branca, o que tem nessa bolsa que você não larga pra nada. Ela me explicou, com muita atenção, que para saber eu deveria ir até um projeto que ficava ali perto.

Eu fui pontual. Na hora exata marcada, estava lá. Aquela moça, a missionária Carmen, me contou histórias lindas e parou para me ouvir de uma forma que ninguém nunca tinha ouvido. Eu abri meu coração para contar as minhas histórias tristes e para receber calma e transformação. Quando terminamos nossa conversa, eu estava muito diferente, me sentia melhor em relação a mim mesma e aos outros, conheci Jesus. A missionária me disse que eu poderia voltar sempre que sentisse algo ruim ou precisasse conversar. Eu passei a ir naquele lugar todos os dias. Cada vez contava sobre uma dor diferente e ouvia mais sobre Deus. Foi nesses encontros que eu entendi o amor Dele por mim, foi um processo de cura, me livrando de todo sentimento de abandono, complexo de inferioridade e falta de confiança. Desde o primeiro dia, quando ouvi as histórias com aquelas figuras bonitas, passei a confiar em Deus e nas suas promessas.

Depois de bastante tempo nessa caminhada, agora já adulta, estava mais uma vez naquele projeto perto da minha casa, onde, quando criança, fui durante tantos dias para falar sobre as minhas dores. A Carmem já tinha ido embora há alguns anos, mas uma outra missionária brasileira veio para ajudar e contar histórias para as crianças. Ela começou a contar uma história usando algumas figuras e eu comecei a chorar na hora.

Eu já tinha visto aquelas figuras antes! Eu as vi quando era uma criança com problemas de inferioridade, abandono e confiança. Foi com elas que conheci Jesus. Mas agora, anos depois, via aquelas mesmas figuras em uma posição totalmente diferente: me tornei professora das crianças do projeto e, da porta da sala, podia vê-las sendo impactadas como eu havia sido. Agora via de fora algo que, há anos atrás, aconteceu dentro de mim, tudo através daquela mesma Bolsa Verde.

Cristo entrou em minha vida e transformou minha alma triste em uma alma alegre; uma menina que não tinha gosto pela vida, em uma mulher que ama viver e usa sua vida para abençoar outros. Hoje eu sou a única da minha família que terminou a universidade e que está firme no Senhor. Sou professora e missionária, lidero o grupo de jovens da minha igreja, tenho vários trabalhos de evangelismo e de discipulado, terminei recentemente um curso de missões urbanas para continuar servindo melhor a Deus no meu país. O meu passado ficou para trás, hoje sei que o que realmente importa é como vamos terminar, não como começamos, porque o mais importante na nossa vida é terminar vivendo com Ele e para Ele.

Quando criança, eu achei que ninguém se importava comigo, mas estava enganada. Um dia, escutando histórias que saíam como mágica de dentro de uma Bolsa Verde, eu fiz uma escolha que me deu um futuro que eu pensava ser impossível. Eu escolhi a Deus, eu escolhi ser feliz!


Escritar por Beatriz Bastos.

“Se aconteceu comigo, se mudou a minha história, pode mudar a história de muitas pessoas”.

“Se aconteceu comigo, se mudou a minha história, pode mudar a história de muitas pessoas”.

Era setembro de 2003 e poderia ser um dia normal de atividades no projeto social. Mas, para Jessica, sua vida mudaria de uma forma que os resultados da transformação seriam notórios por toda sua vida.

Deixe-me apresentar Jéssica, uma menina de 9 anos, que viveu grande parte da sua infância numa região violenta da cidade de Niterói (RJ). Recorrentes tiroteios e ações da polícia traziam uma sensação de estar sempre se escondendo de algum perigo e até mesmo com medo da morte. Além disso, a pequena menina presenciava adultos bêbados, gritarias e desprezo dos mais velhos para com os mais novos. Tais situações e sentimentos tornaram-se cotidianos para uma menina que desconhecia outra realidade.

No entanto, os dias de Jessica tinham mais esperança com as atividades no projeto social. Foi lá que ela conheceu a educadora do Projeto Calçada, Ana, que também era sua professora de reforço escolar. Ana percebeu a situação de tristeza em Jéssica e a convidou para ser aconselhada com a Bolsa Verde. Um pequeno convite para ouvir uma história, que transformaria a visão de si mesma e do mundo a sua volta.

Após uma breve introdução, Ana deixou Jéssica bem à vontade para dizer seus medos, suas tristezas, e como se sentia e se via diante de todo um cenário tão estarrecedor. E foi nesse momento de compartilhar que Jéssica confessou à Ana que se sentia como um rato acuado. Ela não tinha condições de se comparar à outra coisa. Ela se via, se sentia e, de fato, se comportava como se fosse um rato que foge, que se esconde pelos cantos, com medo.

Ainda durante o aconselhamento, no momento da oração, Jéssica chorou muito, mas confiante, pediu a Deus para se mudar do lugar onde morava. Ana, em seu coração, achou difícil que isso acontecesse, a realidade não apontava nenhuma possibilidade de mudança, e ela se preocupou com a possível frustração que poderia atingir a menina se aquele pedido não fosse atendido. Contudo, manteve sua preocupação para si e não expressou à Jéssica.

Para fortalecer a fé da pequena Jéssica e trazer à memória a esperança para a Ana, Deus ouviu a oração da criança. Dois meses depois da conversa com a educadora, a mãe da menina passou por situações difíceis por conta da violência do local e foi obrigada a mudar-se de lá. Com a ajuda de conhecidos de fora da comunidade, Jéssica se mudou para um lugar menos violento, junto com sua família.

Jéssica deixou aquele rato acuado para trás e seguiu sendo uma menina calma. Não que ela não perdesse mais a paciência ou que não se sentisse temerosa diante das dificuldades. Mas, agora, ela sabia que não estava mais sozinha, pois tinha Jesus ao seu lado para ajudá-la a se defender diante dos desafios da vida.

A menina cresceu e aprendeu que é possível mudar realidades de outras pessoas. Jovem, resolveu cursar Direito para defender outras crianças. Hoje é uma jovem segura e cheia de conquistas. Jéssica, agora casada e mãe de dois filhos, formada, encara a oportunidade de olhar para o passado. O tempo passa, mas sempre que Jéssica relembra do aconselhamento com a Bolsa Verde tem a certeza da mudança em sua vida. Ela pôde declarar que aquele momento foi especial, único e transformador: “se aconteceu comigo, se mudou a minha história, pode mudar a história de muitas pessoas”.


Escrita por Juliana Gonçalves e Beatriz Bastos.

O menino que quer ser um missionário.

O menino que quer ser um missionário.

Relato de uma educadora.

Há aproximadamente um ano tenho acompanhado Paulo mais de perto. Nesse tempo, tenho me surpreendido com como ele está crescendo e descobrindo seus dons e talentos. Há duas semanas visitei sua casa. Ele me mostrou orgulhoso a mochila que ganhara da igreja. Dentro estavam seus cadernos, lápis e outros objetos no estojo. Paulo estava preparado para voltar às aulas, confiante, sentindo-se amado e valorizado.
Às vezes ainda me surpreendo com como um aconselhamento bíblico pode ajudar tanto uma criança! Nesse período de um ano, ele foi aconselhado três vezes com a Bolsa Verde. Paulo compartilhou seus medos e pesadelos. Em um deles, falou das vezes que apanhou de sua mãe, especialmente quando a mesma estava nervosa. No decorrer deste aconselhamento, ele disse que a perdoava. Ele reconheceu suas próprias falhas e disse que sua mãe havia lhe pedido perdão e declarou que não queria mais bater nele. Não foi à toa que ao final do aconselhamento ele entendeu o amor e o perdão e disse que se parecia com “Deus que ama as pessoas”. Eu vejo o Paulo mais confiante, sem aquela vergonha e tristeza que percebia em seus olhos.
Paulo, que antes tinha o desejo de aprender a ler, agora lê muito bem as histórias na Bíblia. Ele aprendeu a procurar e marcar os textos que tocam seu coração. Nesta última visita, sua mãe me contou que ele mudou muito. Pontuou que o menino aprendeu a ler e sempre lê a Bíblia; ora com ela e a incentiva a orar; está muito bem na escola, em casa e com os amigos. Ele faz tudo que pode para estar nos cultos da igreja, especialmente na Escola Bíblica Dominical e no culto infantil. Paulo até brinca de culto com os seus sobrinhos! Eles são os pastores e Paulo o missionário.
Missionário é o que Paulo quer ser quando crescer. Nem se deu conta que já é! O pequeno já incentiva a mãe e a faz levar dois sobrinhos e uma sobrinha para o culto. Isso com seus 8 anos de idade!
No Natal, Paulo ganhou uma sacola de presentes com roupas e brinquedos, fruto de doação de uma família. Junto com os presentes, ele recebeu uma carta com um desenho da filha do casal. No desenho tinha Jesus, Paulo e a amiga nova. Mesmo com todos os presentes, disse que o ele mais gostou de ganhar foi a carta! Alguém se importou com ele e lhe escreveu sua primeira cartinha. Ele queria saber se a amiga havia gostado da carta que escreveu também. Pronto! É um missionário mesmo! Há um grupo de pessoas que intercedem por ele enquanto vai crescendo e comunicando sua fé.
Paulo, que antes vivia com o nariz sempre congestionado, uma criança magrinha e acanhada, agora está mais forte fisicamente e já não fica tão resfriado. Vendo isso, me recordo da mudança que houve na casa de Paulo, graças a mobilização dos doadores que receberam as primeiras cartas. Antes, a casa era cheia de mofo e goteiras, mas agora tudo está mais arrumadinho e pintado. Confesso que me surpreendi com a oração da mãe de Paulo nessa visita que fiz: “Senhor, te dou graças pela chuva que cai, que é uma benção e faz tão bem.” Agora com a casa protegida, ela dá graças a Deus pela chuva! E eu choro de emoção porque sei exatamente o que se passa no seu coração: gratidão! Muita gratidão!
Em um ano, como Paulo cresceu! Ele está crescendo em graça, estatura e conhecimento diante de Deus e dos homens (Lc.2.52). Assim como Jesus, que viveu na pequena Belém, um dia Paulo vai levar ao mundo a mensagem do amor de Deus, a mesma que o alcançou, sarou suas feridas, consertou o telhado de sua casa, transformou sua família e sua história.

 

Ana Silva

Educadora do Projeto Calçada

A transformação que veio pelo cuidado.

A transformação que veio pelo cuidado.

“O Projeto Calçada tem sido uma ferramenta preciosa na restauração e cura das crianças, adolescentes e educadores do Programa Viver no Estado de São Paulo, a cada aconselhamento percebo a transformação na vida dos que são aconselhados com a Bolsa Verde, conforme relatado pelos educadores.
Dentre os atendidos, preciso destacar a aluna Poliana, de 14 anos. No aconselhamento, a aluna expôs que foi abusada sexualmente por seu primo aos 9 anos e não conseguia contar aos seus pais, pois estava com problemas de relacionamento com sua madrasta. Ela disse que se sentia rejeitada por eles e já tinha perdido a vontade de viver ao ponto de estar se mutilando.
Ao longo dos aconselhamentos, a mudança em seu olhar e na sua afeição foi nítida, ela se sentiu amada e preciosa para Jesus. Poliana está sendo acompanhada pela educadora Luisa e pela diretora da ONG que participa.
Foi realizada uma conversa com seus pais sobre o abuso sofrido e de como ela se sentia em relação a eles Houve liberação de perdão e reconciliação, as devidas providências em relação ao abuso estão sendo tomadas por sua família e a aluna está sendo acompanhada por uma psicóloga. Hoje encontro Poliana sorrindo, com sonhos e com o brilho de Jesus em seu olhar.”

Esse é um relato da missionária Luísa Karla de Freitas Melo, que trabalha no Programa Viver, em São Paulo. A transformação de Poliana é um exemplo da importância de cuidarmos da vida de crianças e adolescentes. Para isso, precisamos não só de ações e projetos, mas de informação. Se você entende essa necessidade de mudança e deseja saber mais sobre cuidados, proteção e direitos desses jovens, participe de nosso segundo Congresso Online, de 03 a 05 de outubro. Mais informações em www.projetocalcada.org.br/congresso.