Mulheres: Uma Grande Força No Cuidado Emocional Infantil

by | maio 6, 2022 | Artigos

Atualmente, e cada vez mais, estudos científicos na área da saúde mental evidenciam a
importância do cuidado emocional da criança, e repercussões da relação pai-mãe-bebê à
saúde mental infantil e, a longo prazo à de adolescentes e adultos. Dessa forma, diante de tão
vasto assunto, aqui nos propomos introduzir reflexões posteriores sobre tão abrangente
temática.

Nessa reflexão, introduzimos observações sobre aspectos relacionados ao processo de
crescimento e desenvolvimento integral da criança e a relevância do papel das mulheres nesse
processo, mais especificamente, no Cuidado à Saúde Emocional.
Reforço que esse cuidado perpassa, e conecta olhares e saberes integrados à saúde mental
infantil e juvenil. Que indescritível desafio e privilégio! Esse também pode e deve ser
compartilhado com a participação do homem – pai. Pai presente e participativo no cuidado
emocional do filho/a. Bem, mas aqui o nosso foco é: a força da mulher nessa função: Cuidado
Emocional Infantil.

Mulheres no cuidado e proteção

Oportuno enfatizar que me refiro a um CUIDADO QUE PROTEJE, PROMOVE SAÚDE
EMOCIONAL E PREVINE ADOECIMENTOS NA SAÚDE MENTAL. Um cuidado consciente; baseado
em experiências positivas e consistentes; integrado em fatores protetores e promotores ao
crescimento e desenvolvimento total da criança e adolescente; e que corresponde as
demandas de caracteres pessoais e individuais em contextos ambientais do seu cotidiano –
fatores epigenéticos à Saúde Biopsicossocial infantil. DESAFIADOR? Sim, DESAFIADOR!
Contudo, reiteramos a afirmativa do tema – Mulheres: Uma Grande Força No Cuidado
Emocional Infantil!

Ser Mulher ..

Para tanto, o que resumidamente podemos destacar na pessoa da mulher, e com potencial
resposta positiva à tão enfática afirmação?

Ser Mulher – relevância ímpar da criação; ser com diversidade de potencialidades em sua
própria história; potencial participativo e influente no protagonismo pessoal, familiar,
comunitário, social e espiritual. Dessa forma, com potencialidades a serem desabrochadas nas
diversas fases da vida, papéis e desafios de seu ciclo vital – nasce uma mulher! Capacidades
imensuráveis de: virtudes, competências, habilidades, talentos, criatividade, empatia,
determinismo, persistência, resiliência, superação, … compõem uma mulher! Atributos que
urgem serem instrumentalizados em ferramentas uteis, habilidades imprescindíveis no
cuidado à saúde emocional infantil e juvenil.

Um admirável, abrangente cenário de cuidado emocional: a maternidade! Materno e eterno,
marcas que podem transcender o mundo natural (secular), e impactar o sobrenatural
(espiritual), no sentido da referência materna no cuidado à saúde integral e educação à vida
dos filhos. Que imensurável privilégio e tamanha responsabilidade! Assim, requer de nós,
mulheres; muita atenção, dedicação, compromisso, alerta!
E o que pensamos e enfatizamos, sobre a força desse cuidado emocional feminino em
contextos mais ampliados: social, comunitário, espiritual, profissional; indo além do ambiente
familiar, no atual cenário? Aqui refiro ao cenário extremamente desafiador, sobretudo quando
ainda enfrentamos demandas decorrentes da Pandemia Covid-19, impactos impossíveis de mensurar em suas múltiplas dimensões e expressões a curto, médio e longo prazo. Demandas que requerem ações conjuntas, articuladas e interligadas com estratégias de enfrentamento mobilizando todos os setores sociais atuantes no cuidado à saúde mental do público infanto-juvenil e suas famílias. Eu, você, todos convocados/as a entrar, mobilizar, movimentar uma grande rede de atenção e atuação.

Pela abrangência e possíveis desdobramentos do tema, conforme acima referido,
pretendemos continuar nossas observações em reflexões posteriores. Nesse sentido, aqui
focamos atributos do Ser MULHER relacionados à função cuidado emocional. Lembrando
sempre: para o ser integral – a pessoa, sempre se faz necessário um cuidado individualizado –
pessoal e integrado de suas partes (físico, mental, social, espiritual).

Ressalto que: pesquisas têm evidenciado a importância da relação pai-mãe-bebê; que na vida
intrauterina inicia o desenvolvimento de estruturas cerebrais relacionadas a saúde mental; e
que as experiências positivas, de vínculos relacionais seguros até os três anos de idade são
muito mais importantes do que imaginamos à saúde mental da futura criança. E essa pessoa –
criança, é o futuro adolescente, e a longo prazo, um adulto com suas memórias emocionais,
inseridas e compondo sua história de saúde ou adoecimento mental.

Como ser exemplo de mulher

Nesse sentido, vejamos um cuidado que acompanha fases de desenvolvimento de uma
pessoa, um sumário relato, mas percebo como exemplo de mulheres promotoras do
desenvolvimento integral do educando infanto-juvenil: Lóide e Eunice – avó e mãe de
Timóteo. E o que aqui podemos destacar?

Semelhante ao panorama da sociedade atual: são mulheres que marcam, influenciam
positivamente suas vidas, famílias, a vida de seus filhos, netos, comunidade e sociedade,
mulheres que se destacam por seu exemplo de fé, vida digna, cidadania, honradez, caráter,
vida social referenciada. E sobre o poder, a força dessas mulheres (Lóide – avó e Eunice –
mãe)? Elas foram referências nas credenciais de Timóteo para Paulo. Uau! Ilustres,
Extraordinárias Mulheres! Conforme citações em: 2º Timóteo 1.1-7, 1º Timóteo 1.18-19; Atos
16.1-3. 1º Co.4.17

E nós; mães biológicas, mães sociais, educadoras, pessoas direta ou indiretamente
participantes da rotina, do cuidado cotidiano, influentes no processo educativo de uma
criança, adolescente; que história de referência estamos construindo com nossos educandos?
Quais as marcas estão sendo registradas em suas memórias afetivas, sociais e espirituais?
E aprofundando nossa visão e análises, como estamos ajudando construir a árvore genealógica
da saúde integral da nossa família?

É essa árvore que irá alicerçar raízes, estruturar, ramificar, frutificar a genealogia social,
emocional e também espiritual na vida de filhos, netos e famílias sucessoras. Somos seres
tridimensionais, necessitamos crescer de forma integralmente saudável. E isto, requer um
desenvolver salutar das partes do indivíduo – corpo – alma – espiritual e social.
Árvore frondosa é o que normalmente desejamos, sonhamos, queremos em nossas vidas e
famílias. E o que, e como estamos plantando? Quais sementes estão sendo semeadas? Como
adubamos, regamos, cuidamos da plantinha chamada vida do educando, filho, neto, família?
Esse é tempo de despertar, mobilizar nossa maior atenção em ações preventivas e corretivas
junto as nossas crianças!

E ainda, ampliando nossos olhares ao cuidado integral para com os escolares: Nunca como
antes, na história dos PROCESSOS DE EDUCAÇÃO, precisamos estar cientes em nosso papel
como educadores, instrutores prioritários, tutores na educação básica dos filhos. Escola –
ensino, Família – alicerça e, solidifica a educação! A família e a escola devem ser
complementares, interatuantes, organismos parceiros, e não excludentes nos processos
contínuos de desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais, ensino e aprendizagens.
Oportuno evidenciar: ao cuidado emocional à faixa etária infantil e juvenil, importa também
continuar a atenção aos aspectos relacionados ao desenvolvimento da espiritualidade.
Imprescindível que haja estratégias coerentes, assertivas e efetivas e, uma caminhada de mãos
dadas (família-igreja, família-escola). É vital, e prudente evitarmos, separar essas mãos
(família-igreja, família-escola). Por vezes, em cenários, onde estes organismos vitais ao
crescimento e desenvolvimento integral do indivíduo atuam em partes isoladas; o educando
(filho, aluno) sente-se solto, confuso, perdido, voando, tal qual uma folha solta. Contexto este
muitíssimo perigoso, onde todos podem sair perdendo, em especial, a criança e adolescente.
Especificamente nesse cuidado, é preciso muita atenção à nossa responsabilidade e
convocação à missão integral com os nossos filhos/as, educandos/as!

O privilégio da mulher ser mãe

Que privilégio, e responsabilidade, Deus confia a cada uma de nós. Assim, quando pensamos,
planejamos e gestamos um/a filho/a, temos o compromisso de buscar em Deus – o autor da
vida, a sabedoria, investir na busca de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades e
competências adequadas as necessidades especificas de cada faixa etária e demandas pessoais
e individuais, de forma que: possamos desempenhar com maestria a mais desafiadora,
brilhante e preciosa função feminina – o exercício da maternidade!
E na prática, como desenvolver e quais ações podem promover esse cuidado integral?
Continuaremos com esses desdobramentos em novas reflexões. Assim, até breve, desejando
que cada criança, cada adolescente, em seu ambiente familiar, aonde estiver, ou por onde
passar; desfrutem do CUIDADO que PROTEJE, PREVINE, PROMOVE SAÚDE INTEGRAL!

Joseana de Oliveira Menezes Galvão
Médica com Pós-graduação em Sexualidade Humana, Terapia Familiar, Problemas
Relacionados ao Uso Abusivo de Álcool e Outra Drogas Brasil.
Consultora do Programa Claves Brasil – Programa de Prevenção aos Maus tratos e Promoção
de Bons Tratos em Família – www.clavesbrasil.org
Membro do Conselho da Associação Lifewords Brasil – Projeto Calçada –
www.projetocalcada.org.br

Posts recentes

Amar é combater o trabalho infantil

Amar é combater o trabalho infantil

“Depois disso, algumas pessoas levaram as suas crianças para Jesus pôr as mãos sobre elas e orar, mas os discípulos repreenderam as pessoas que fizeram isso. Aí ele disse: — Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o Reino do Céu é...

Adoção: Vencendo os desafios emocionais da fase de aceitação

Adoção: Vencendo os desafios emocionais da fase de aceitação

O Dia Nacional da Adoção é celebrado no Brasil em 25 de maio como uma forma de conscientização sobre a importância dessa ação. A adoção é um ato de escolha e amor, em que tanto adotantes quanto adotado(s) passam por grandes desafios, mas também pode ser imensamente...

Alienação parental diante da lei

Alienação parental diante da lei

A Lei nº 12.318/2010, em seu art. 2º estabelece o seguinte conceito: “Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou adolescente, promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou...

Alienação parental: os perigos emocionais para crianças e adolescentes

Alienação parental: os perigos emocionais para crianças e adolescentes

Para entender melhor os perigos emocionais da alienação parental é necessário compreendermos como se dá o desenvolvimento humano. Vygotsky (1930/1996) ressalta que através da aprendizagem e das interações dos agentes mediadores de cultura, (pais, professores, etc.) o...

categorias

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Posts relacionados

Chegamos em Cabo Verde

Chegamos em Cabo Verde

Em 2004, durante o meu período de férias no Brasil, fui capacitada pelo Projeto Calçada, e ao regressar a Cabo Verde, onde trabalhava como missionária de Missões Mundiais, comecei imediatamente a aconselhar muitas crianças com a Bolsa Verde. Entre essas crianças...

read more
A Ovelha Perdida

A Ovelha Perdida

A pandemia do coronavírus trouxe uma nova realidade, a do isolamento social. Todos temos lidado com isso, em especial aqueles que estão infectados com a doença, que ficam preferencialmente em um quarto, sem contato com as pessoas, sem pode tocar e nem ser tocado. Não...

read more
A LUTA PELO LUTO

A LUTA PELO LUTO

“Chorai com os que choram...” Romanos 12.15 A pandemia que estamos enfrentando nos tem feito experimentar algo que nunca havia sequer passado pelas nossas mentes ser possível: não poder velar e sepultar os nossos mortos. Participei de dois velórios durante este tempo...

read more